“Eu também sei fingir. Sei fingir sobre muitas coisas. Sei fingir que não me importo, que não ligo, que não sinto falta, que não faz diferença, que não me canso, que não dói, que não me faz chorar, que não me destrói, que não me afasta, que não me faz pensar, que não dá um nó inexplicável na garganta.. E são poucos os que percebem que disfarço tudo isso sorrindo.
“Fui embora e uma semana depois você já ria com um outro alguém. Por enquanto tudo bem, somente gargalhadas, tardes animadas, dor de barriga de tanto rir e todo esse mar de rosas. Quero mesmo é ver essa pessoa aguentar tuas crises existenciais. Aquelas que você chora o dia todo e precisa de alguém perto pra enxugar tuas lágrimas. Que você escuta música romântica e deixa todo mundo com embrulho no estômago por aquelas músicas serem tão melosas. Que você sente vontade de desistir de tudo e esquece que tem gente que te ama. Tuas crises existenciais não sou para qualquer um não. Quero só ver. E daí, quando chegar esse dia, sabe quem vai dar risada? Eu.
“Se for entrar na minha vida, entre para ficar. Ando dispensando visitas passageiras.
“É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero.
“É assim que sou, abstrato, uma incógnita. Afasto quem mais amo, acabo por amar quem não deveria. Falo coisas sem pensar, coloco minhas amizades a um fio, prestes a ter fim, por ciúmes. Não sei lidar com palavras, não sei fazer meus relacionamentos durarem muito tempo. Sou tão jovem mas tão desajeitado, as vezes parece que nem eu mesmo me conheço, choro por palavras não ditas, choro por palavras ditas, sou confuso ao extremo. Digo na hora de ficar quieto, e fico quieto na hora de falar. Me iludo com besteiras, faço mais pras pessoas do que deveria, e recebo menos do que merecia. É assim que sou.